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Corpo Estranho
Muita gente acredita que o crescente consumo de produtos industrializados contribuiria para a maior incidência de alergia alimentar. Mas o fato é que nada ainda foi comprovado e, industrializado ou não, qualquer alimento é capaz de desencadear reação alérgica.
No Brasil, leite e frutos do mar se transformaram nos principais protagonistas desses episódios, seguidos do ovo, trigo, milho, soja e castanhas. Acredita-se que as proteínas desses alimentos sobrevivam à digestão, e assim, sejam mais facilmente reconhecidas e atacadas pelo sistema imune.
No caso das crianças, o leite é disparado o principal vilão, como afirma o pediatra Jorge Andrade Pinto, professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG e presidente do Comitê Científico de Alergia Pediátrica da Sociedade Mineira de Pediatria. Ele explica que, como elas são acostumadas com o leite materno, o corpo estranha quando passam a se alimentar com outro tipo de leite. Isso se deve à imaturidade dos seus sistemas digestório e imunológico.
“De qualquer forma, a intolerância à lactose é mais comum do que a alergia. A alergia a leite de vaca afeta 2% da população infantil. A partir dos 7 ou 8 anos, cerca de 30% da população vai desenvolver intolerância à lactose”, explica.
De qualquer forma, a reação alérgica pode desaparecer à medida que a criança cresce ou, então, no outro extremo, se manifestar apenas na fase adulta. Ainda não se sabe o motivo, mas na infância algumas células passam a produzir substâncias que bloqueiam os anticorpos, pondo um ponto final na alergia em muitos casos. Com os adultos, uma vez iniciada, a história não tem fim. Uma pessoa pode comer camarão a vida inteira e só aos 30 anos reagir a ele. E a partir da primeira crise, vai apresentar os sintomas toda vez que ingerir o crustáceo.
Diagnosticar a alergia a um alimento não é tarefa fácil. Os médicos recorrem ao histórico do paciente e pedem diversos testes de pele. Já por meio de ume exame de sangue podem calcular a quantidade de anticorpos envolvidos. E há mais duas estratégias de que se valem os especialistas antes de bater o martelo. A dieta de restrição e o teste de provocação oral. A primeira consiste em retirar o alimento suspeito do cardápio durante seis semanas. E a segunda em reintroduzi-lo aos poucos, tudo sob supervisão médica.
Estado de Minas - 2010-05-16
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